Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #18



Ontem foi um dia especial do álbum. Depois de meses de reuniões, conversas, guias, ideias, finalmente começamos as gravações finais dos singles. A demora foi mais pela preocupação com um resultado final mais coeso, até porque após a gravação dos singles, o álbum ainda estará em andamento, e tudo deve pertencer à mesma leva musical.

Mais especial ainda, porque esta é a primeira vez que gravo os violões de praticamente todas as faixas. Com exceção da faixa "Só", antiga "Minha Tristeza" composta em parceria com Carlos Bacelar, baiano radicado no Rio de janeiro, que terá um convidado especial no violão. Desde os 11 anos, quando entrei pro mundo da música no Coral Curumim, e depois nos 6 anos de Metaphorica, eu sempre participei tocando no máximo na hora das guias, deixando para músicos mais competentes tocarem as guitarras e violões. A minhas maiores experiência sempre foram e são as vozes e as letras.

Desta vez, ainda inseguro, tentamos chamar algumas pessoas para gravar os violões principais, e ninguém conseguia chegar na sonoridade que eu buscava para as músicas. No fim, a sugestão dos produtores Kristan Capeline e Rodrigo Azzolin foi aceita, e decidimos que eu gravaria todos os violões. Com alguma dificuldade pela inexperiência, finalmente ontem concluímos os violões nylon principais de "Aeroporto", "Vento Norte", e "Miosótis", faltando mais uma sessão para alguns solos e detalhes em aço, para dar uma textura mais densa pras canções.

Acredito que seja esse um pontapé chave na minha carreira musical, pela atenção que a partir de agora será devotada ao instrumento, que quase sempre ficou em segundo plano pela minha preocupação perfeccionista em letra e vozes. E o disco vai caminhando a passos de gigante. Poucos, mas longos.

#ansioso.

Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #17


As resoluções do estúdio estão cada vez mais fechadas. Apesar da demora do single (falta pouco hein gente... calma aí), o método original que estamos criando acabará se refletindo em produtividade para o resto do disco. As ideias borbulham. Cada take é um mar de ideias novas que surgem, e um direcionamento diferente. Sinceramente, sei que vou ficar muito satisfeito com o resultado, mas qual será esse resultado, é só o coração que sabe.

Novidade quentinha: teremos “Viento Norte”, e “Aeropuerto” como versões em espanhol do single e bônus-single, respectivamente. O tempo esperado vai compensar!! rsrs

A banda vem se concretizando. Recentemente eu e Bogdan temos nos reunido com um pessoal que toca percussão, e espero que isso resulte numa formação sólida para o que virá a ser os shows da banda. Tenho pensado bastante na capa do disco também. Apesar de ser cedo para fazer essas coisas, gosto de ir pensando em tudo meio simultâneo, que o resultado sai mais coeso ainda. Não gosto de fotografias com banda na capa, e provavelmente a capa será alguma coisa que represente o álbum conceitualmente. Tenho me comunicado virtualmente com alguns artistas plásticos, que se interessem, e caso algum de vocês conheça alguém interessado, pode enviar e-mail que a gente conversa.

Mais uma vez tenho de agradecer mais um recorde destes consecutivos que o blog tem tido. Só na última semana o número de acessos foi estrondoso, dobrando a média mensal de acessos. Esses números demonstram o interesse de vocês em uma música completamente sincera e sem pretensões, e isso acredito ser um ótimo sinal para a música brasileira. Falando em música brasileira, é bom perceber que de todos os acessos, mais de 30% são dos EUA, sem contar os significativos acessos da Alemanha, Portugal, Angola, Moçambique, Malásia, Rússia, Canadá e Chile; Obrigado a todos pelo mundo na escalada dos ombros de gigantes, e obrigado principalmente a todos os brasileiros que têm orgulho da sua música e a apoiam tão firmemente. Gostaria de ter a voz de todos vocês nas músicas comigo.

Dabliu Junior


Violão - Surgimento Longínquo*

*Bogdan Skorupa

Decidi fazer diferente da forma como havia pensado, não será uma descrição detalhada ou revolucionária sobre o violão, mas também não poderei ser chamado de mentiroso, pois farei algo diferente ainda relacionado ao violão; existe outra coisa, porém, que limita esta introdução, pois acima de tudo quero evitar criar expectativas prévias obre estar informações. Paro por aqui, agora começa o assunto que interessa. Vou fazer, por enquanto, um apanhado apenas a história mais antiga, até o Renascentismo...

Violão
Qualquer pessoa que se diga viva conhece um pouco, ouviu falar, e uma grande maioria já entrou em contato íntimo com este instrumento, que posso adiantar que é de uma simplicidade tamanha desproporcional à sua popularidade. Além disto, é versátil e de fácil execução, sua sonoridade acompanha de modo musical desde o início do aprendizado até o ápice do virtuosismo.

Desta forma podemos começar a entender a sua popularidade, pois um intrumento que motiva o estudo pela sua musicalidade inerente desde os primeiros acordes é facilmente aceito inicialmente como um compromisso de estudos prazeroso.

Digo isto principalmente pelo contato acirrado que tenho com o trompete, um oposto; facilmente notado como de difícil motivação inicial pelas notas ainda desfocadas ou inexistentes do primeiro mês de aprendizado. Os aprendizes tem que possuir uma vontade mínima no primeiro ano até conseguirem alcançar um nível de domínio sobre o instrumento e sobre seu próprio corpo; na realidade o primeiro ano pode ser apenas um décimo do tempo que levará para satisfazer-se completamente com as suas habilidades.

No violão, tocando apenas três acordes, mudando-se um pouco a formação rítmica, mesmo sem saber o que é isto, a pessoa motiva-se a continuar tocando estas músicas improvisadas. Talvez depois de algum tempo comece a surgir uma necessidade maior de tocar coisas diferentes e o aluno que agora já conhece todos os acordes procura um mestre, apenas para descobrir que conhece muito pouco de música e nem um quarto dos acordes que poderia formar.

No entanto, o que leva o instrumento a ter popularidade está além da facilidade, pois instrumentos muito mais simples (sem contar com nomes) poderiam ser alicerces da musicalização muito mais simplificados, possíveis até para crianças com um mínimo de habilidade motora. O violão provém de séculos de evolução desde o surgimento dos Cordófonos (instrumentos que produzem som a partir da vibração de cordas, de acordo com a classificação dos instrumentos musicais feitas por Erich von Hornbostel e Curt Sachs), sua proveniência mais aceita inicia-se no Neolítico. A partir daqui iniciam-se algumas avaliações lógicas sobre fatos, ditas por alguns como teorias.

Os arcos de caça foram em algum momento ouvidos por caçadores mais atentos; contando com o fato de que parte da composição do ser humano é a música, perceberam que sons interessantes surgiam quando as cordas eram tangidas com os dedos. Com a agricultura crescendo em importância no estilo de vida Homo sapiens (sapiens) alguns destes arcos puderam ser aposentados, da mesma forma como os caçadores nômades que podiam desfrutar de uma disponibilidade alimentar maior e mais constante.


Alaúde
Em algum processo de várias gerações e muita insistência, algumas cabaças, cocos, ou qualquer outra forma de caixa acústica, mas ainda sem nenhuma ideia com foco nesta utilidade, começaram a ser colocadas nas pontas dos arcos. Apenas no campo imaginativo, os novos sons conseguidos pelas caixas acústicas motivaram as modificações que tenderam para o surgimento dos instrumentos como o Alaúde, sendo este o principal representante dos cordófonos.

O alaúde é uma referência por causa da sua diversidade; instrumentos denominados como alaúdes são de uma variedade que abrange o tempo e as distâncias. Cada região, com o passar do tempo, teve uma forma diferente de alaúde desde mais de 5000 anos atrás, no surgimento do Egito Antigo, até a Europa da Idade média e além. A forma que pode ser dita como a de um Alaúde é proveniente da região do Egito e do Oriente Médio.

Porém o alaúde não parece participar diretamente da linha que originou o violão, por isto devemos notar que algumas características diferem entre o violão e o alaúde; a mais notada é o fundo do instrumento, em um é chato e no outro abaulado, mas em geral a ideia da formação do instrumento é a mesma: um corpo e um braço encimado por cordas, que são pressionadas contra a parte superior do braço. Existe outro instrumento que é marcante nas características dos seus sucessores, as harpas e liras.

Fazendo uma longínqua, a harpa incorporou-se à cultura helenística; dentro de toda a filosofia e importantes contribuições para a música, inclusive com a teoria musical, as harpas foram modificadas no que fez surgir um instrumento característico e que é recordado sempre que se fala nos Gregos: a Cítara (também chamda de Kithara). Com um corpo acústico formado por peças separadas em fundo, lateral e tampo, o instrumento era mais robusto do que as liras e possuia uma complexidade maior inclusive na construção. Junto ao corpo havia um braço, que a princípio apenas esticava um grande número de cordas, sem que pudessem ser pressionadas para tocar notas mais agudas, estas podiam ser afinadas por cravelhas na ponta.

A partir de adaptações regionais, surgiram instrumentos que transpassaram a queda do Império Romano e talvez por inspiração mista entre a cítara e o alaúde ganharam um formato mais anatômico e também mais simples do que os complicados instrumentos abaulados de várias peças coladas, além de menos cordas e com construção um pouco mais fácil. Em parte este foi o início da popularização do instrumento, pois simplificando a construção as pessoas poderiam fazer os seus próprios instrumentos.

O contato com os mouros foi marcante para o surgimento de um instrumento baseado fortemente nos alaúdes da região e que fez com que surgissem os primeiros representantes das futuras guitarras espanholas e portuguesas. O antecessor mais importante da Idade Média e Renascimento é a Vihuela, uma forma marcante com as mesmas curvas do violão moderno, com uma ou mais rosetas em bocas feitas no tampo; tampo, fundo e lateral em três partes separadas e fundo chato. Algumas características variavam, principalmente o número de cordas (feitas de tripa) e o número de cordas por ordem, sendo que os instrumentos mais complexos do período Renascentista podiam ter duas cordas que são tocadas juntas por vez (ordem com duas cordas). Os trastes eram móveis, cordas enroladas no braço.

Já no século XVI, a Vihuela era um instrumento de cortes e de populares, sendo este segundo grupo o responsável pela criação da música popular do fim da Idade Média. É possível imaginar um modo popular da música nas ruas: uma Vihuela, um banquinho, uma roda de pessoas, provavemente um cantor, talvez até um outro felizardo com um instrumento e dezenas de histórias para contar em melodias do povo.

Deixo a partir daqui um bom momento para reflexão e para que se criem as conexões destas épocas passadas com a nossa realidade. Incluo duas amostras musicais de peças sobreviventes do Renascimento:

Vihuela
Alaúde

Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #16


(Post escrito na madrugada de 10 de outubro).

Passou da meia-noite. Estou aqui debruçado sobre o computador, pra fazer um post especial. Nesse momento estou ouvindo uma versão preliminar de “Aeroporto”, o primeiro single de “Sobre os Ombros de Gigantes” que está prestes a ficar pronto, e de “Vento Norte”, que me diz nas entrelinhas várias coisas do que estou vivendo.

Tenho pensado muito sobre o que representa a responsabilidade do meu primeiro álbum solo. Mesmo depois de tanto tempo fazendo música, agora parece realmente que é como começar do zero. A mesma empolgação, o mesmo entusiasmo, as mesmas inseguranças. Várias coisas têm acontecido e me deixado confuso, ansioso, feliz, triste, mas eu sempre me lembro do que me faz, antes de tudo, estar fazendo tudo isso. Fazer música, transmitir coisas boas através dela, e me expressar como ser humano é a força principal por trás de tudo. Tudo o que vem pra somar, é bem vindo. Se fico chateado por um dia, é um dia e só, no outro amanheço mais forte que nunca.

Nas últimas semanas, o trabalho em estúdio tem sido árduo. Não posso dar toda a atenção só ao disco, pois tenho minhas responsabilidades universitárias, mas também não posso deixar de lado a música porque preciso dela pra viver. Em estúdio, sempre com a valiosa ajuda do meu parceiro mais próximo Bogdan Skorupa, e dos produtores Rodrigo Azzolin e Kristian Capeline, estamos montando e desmontando, indo por um caminho, percebendo que podemos ir por outro, experimentando, desfazendo, refazendo, sempre em busca da perfeição.

Preciso dar minha prestação de contas a vocês, que estão sempre fazendo os números do blog subirem, que toda essa demora e mistério em torno do novo single, é simplesmente porque estamos trabalhando pra mostrar um resultado o mais perfeito possível. O disco, que no todo está sendo feito minuciosamente com todo carinho e seriedade, levará algum tempo para sair, com certeza pra meados de 2012, e o single, que sai nas próximas semanas, precisa refletir um trabalho que ainda está em andamento, então vocês podem ter noção da responsabilidade que isso quer dizer.

Em poucas semanas estarei partilhando com vocês menos de 5 minutos dessa jornada chamada “Sobre os Ombros de Gigantes”, que com certeza vai dividir minha vida em duas partes. Obrigado com carinho a todos pelo apoio, pelos números, pelas contribuições. Alguns amigos mais próximos ouviram uma pequena prévia de algumas das canções, e os comentários de vocês foram muito importantes. Em breve nos veremos em som, palavra e sonho.

Suspeito silêncio no blog; aniversário oculto*

*Bogdan Skorupa

Esta foi realmente por pouco, aposto que alguns já pensaram (bem poucos, imagino) que a postagem semanal furou. Eu admito que foi quase isto, sinceramente havia esquecido do computador neste domingo.
Nestes poucos 50 minutos que fiquei sentado em frente da tela, passei 60 tentando escrever algo decente para o Junior. Sobre isto, antes que a minha falta de sensibilidade atinja um ápice desastroso, tenho que falar sobre o dia de hoje: um domingo, dia 9 de outubro de um ano já adiantado na sua passada; jogo de tarde... ok... Mas algo muito mais importante aconteceu 24 anos antes para que eu pudesse publicar este texto singelo hoje... Sim sim sim, aniversário de Dabliu Junior!!
De forma alguma gostaria de deixar passar em branco nesta postagem uma data importantíssima como esta. Na verdade gostaria de dedicar esta postagem inteiramente à ele, o que acredito ser o mínimo que posso fazer para que o blog, que é praticamente o próprio Junior, tenha algo para marcar este dia crucial. Deixo registrado aqui, e incluo os parabéns de quem quiser sensatamente acompanhar, meus sinceros agradecimentos pela existência desta pessoa indefinível e que tenho orgulho de chamar de amigo!


Não acho prudente que qualquer outra coisa divida a importância do conteúdo desta postagem. Curiosidades sobre música, instrumentos, estilos e infinitos temas ligados à este blog vão ter que esperar até a semana que vem (acredito que eu escreverei algo sobre VIOLÃO na semana que vem; abordando principalmente a construção e dando algumas dicas vindas do meu pequeno conhecimento adquirido durante este ano)

Bog dos Santos

Intruso (?)*

*Bogdan Skorupa

Saudações a todos os interessados nas reflexões filosóficas, nos pensamentos elaborados ou simplesmente amantes da boa música.

Alguns meses antes entraria (talvez nem entraria) neste blog como um apêndice explicativo, tipo uma nota de rodapé, porém imagino que estou cada vez mais imerso na sopa criativa ocupando um papel mais parecido com o de um capeletti e não mais como um tempero.

Gastronomia à parte, apenas queria registrar com este post que fui autorizado a utilizar o blog para postar (uhuuuuuuuuu!!) e estes posts conterão coisas que ainda teorizo o que serão. Pode acabar saindo de tudo relacionado a música, saibam que terei pelo menos este limitador, todos serão de assuntos musicais, inclusive e de preferência relacionados à nossa música. Infelizmente não idealizo nada agora, mas dentro de uma semana vocês terão a sua primeira experiência de ler um post musical neste blog, que não será neste horário, mas será neste dia da semana, semanalmente. Eu escreverei com o máximo possível de afinco, tentando chegar o mais perto possível do carinho que meu grande amigo Junior dedica a este blog, assim como tudo ao que ele dá valor nesta vida.

Bog dos Santos

Deve estar bom para um post (apenas tentem conceber o tanto que tive que pensar para me restringir às recomendações: não pode ser muito grande, não pode ser muito curto, não pode falar sobre coisas que não tenham relação com o blog, não pode aprofundar muito o que é dito no blog, tem que usar um palavreado formal, mas que não fique tão formal, não erre, se o erro for proposital continue preferindo não errar... e assim vai...)