Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #5

Hoje foi um dos dias mais produtivos de todos. Alguns impasses com o estúdio foram resolvidos, as demos de "Último" (nome provisório) e "Saudade" (nome provisório) feitas em parceira com Bogdan Skorupa foram ouvidas infinitas vezes, em busca de um caminho pra elas.

Hoje também foi o dia em que as letras de "Alicia", "Canção da Distância", "Nuvens" e "Mil Amigos" foram finalizadas. Hugo Oliveira, um músico de primeira, com um currículo invejável, que toca seu cavaquinho como ninguém, trabalhará em parceria comigo nestas quatro canções, e pelo menos uma delas entrará no disco.

"Sobre Os Ombros de Gigantes" vai tomando forma. E eu feliz da vida.

Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #4

Hoje concluí a letra da primeira versão de "Vento Norte". Um sambinha melancólico, com solos de trompete. A letra ficou bastante pessoal, fala sobre esse momento em que estou vivendo e tem tudo a ver com a ideia conceitual que estava buscando pro disco. Nunca faço isso, mas desta vez fiquei tão empolgado que resolvi postar essa versão da letra no blog, que já cuidei de registrar. Não vejo a hora de mostrar a música pra vocês.

Vento Norte (versão não-definitiva)

(Letra: W. Junior/ Música: W. Junior/ Bogdan Skorupa)


O vento bate no meu rosto

E eu levo um tempo pra entender

Até sentir meus pés molhados

E é tempo então de prosseguir


A dor se torna um desejo

De um passo agora muito além

Eu vou continuar

Abandonar o barco

Imaginar a frente o que nunca existiu


Até que eu possa me encontrar

Até que eu possa me encontrar


Sai da cidade e volta ao mundo

Volta pra onde nunca foi

Mesmo sabendo que é o primeiro andar

O que eu não tinha sempre então

Me pertenceu


Tudo o que eu sinto é que eu tenho de atravessar

A ponte,

Eeu não sei nada sobre o que deixarei pra trás

Sobre o que deixarei pra trás


Até que eu possa me encontrar

Até que eu possa me encontrar


Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #3

Hoje foi um dia importante pro disco. Meu amigo e parceiro em pelo menos uma das músicas que entrarão no disco, o trompetista Bogdan Skorupa, e eu, fizemos duas canções que encheram nossas almas de alegria.

Começamos cedo, violão e trompete, ideias que já estavam guardadas há uma semana, e de acordo com que fomos tecendo aquela teia musical a coisa foi saindo, saindo, até que criou vida e se tornou uma música linda, um sambinha melancólico que não soava nem triste demais, nem alegre demais. Tudo na medida certa. Tenho certeza que será uma das mais lindas do disco.

Depois, antes de deixar a inspiração descansar, começamos outra, que com certeza será a mais alegre do disco. Gravamos as demos para não esquecer, e assim foi mais um dia muito produtivo de trabalho. Elas parecem já saber como serão, têm uma forte personalidade.

Amanhã, entre outros compromissos, começarei a lapidar as melodias vocais e as letras das duas canções. Tudo em seu devido tempo, como as pedras que levam tempo para serem picotadas pela água, e se tornam aquela areia branquinha e pura, que parece sempre ter sido daquele jeito.

Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #2

Os últimos dias foram criativamente produtivos.

Na última semana conversei com um dos meus primeiros novos parceiros, Hugo Oliveira. Um garoto de alma samba-musical que vem pra dar um toque de samba nas músicas. Pelo visto a conversa rendeu coisas maravilhosas para o meu gigante.

Como sempre imaginei, a música começa por si só a fazer seu caminho. A música tem vida própria, e temos pouco ou nenhum controle sobre ela, que simplesmente vem, sem perguntar se estamos prontos, e nos faz estarmos prontos. Em um determinado momento ela se torna independente, e aí ela simplesmente existe, sem que possamos fazer mais nada.

E assim vamos, sempre remando em frente.

Diário "Sobre os Ombros de Gigantes" #1

Boa tarde!

Hoje começa o "diário" de bordo do meu primeiro disco solo. A palavra "diário" está assim, entre aspas, porque não será necessariamente um diário. Por definição do dicionário:

Significado de Diário

adj.
1. de todos os dias: tomar um banho diário; o jornal diário

subst. m.
1. caderno onde se registam as experiências diárias: manter um diário
2. jornal que se publica todos os dias: o diário da manhã


No entanto, o meu diário é com aspas, porque não serão todos os dias em que postarei alguma coisa. Mas a definição ainda se enquadra porque serão alguns dias em que escreverei sobre o processo de todos os dias.

Fazer um disco é mais que reunir músicas, ensaiar, gravar e acabou. É um processo intenso, em que os compositores de certa forma se expoem para si mesmos, e algumas vezes para o mundo. Falo algumas vezes porque nem sempre uma letra é direta o bastante para que as pessoas entendam o real significado. E nem sempre há um real significado. Mas em todas as vezes, o compositor precisa se despir, precisa se abrir para si mesmo, a ponto de buscar lá no fundo tudo o que lhe pode tocar de verdade e ser digno de virar uma música.

Ao longo dos últimos meses venho escrevendo algumas coisas. Mas só agora nestas últimas semanas, é que as coisas começam a tomar alguma direção. Antes disso era só especulação em torno de um novo som que eu ainda estava buscando. Não que essa busca tenha acabado, porque apenas começou e tudo ainda pode mudar a qualquer momento.

O estúdio está 80% fechado. Faltam ainda alguns detalhes. Por algumas restrições, físicas, financeiras, psíquicas, e outras, decidi fazer o disco ainda com mais calma que o planejado anteriormente. Não tem data pra lançar ainda, nem data pra show, nem data pra nada, e dessa vez é assim que quero que seja, sem pressões. Até o dia da gravação é tempo de mudar qualquer coisa que seja.

O repertório começa agora a tomar alguma forma, parceiros começam a aparecer. A ideia é um disco que traduza a liberdade de cantar solo, com a responsabilidade de que agora, qualquer coisa que não fique boa o bastante, a responsabilidade é só minha. Tem muita gente nova na jogada agora, gente de fora, parceiros compositores, músicos, que as poucos vou postando aqui de acordo com que as coisas vão acontecendo.

Ontem, para organizar todo esse tempo de letras escritas, e melodias adormecidas, fiz uma sessão de leituras e audições de tudo o que tenho criado nesses meses de recesso, e ver tudo o que ainda me serve para o disco. Depois, fui ao Jardim Botânico de Curitiba, naquele pôr-do-sol que só lá pode se ver, e fiz a letra pra primeira música em parceria com um compositor do Rio de Janeiro, que talvez ainda entre neste disco.

Essas épocas de compor, me sinto um pouco deprimido. As letras até que estão ficando mais alegres que as anteriores do tempo da Metaphorica, mas acho que o fato de me despir diante de mim mesmo me deixa neste estado. É um trabalho intenso, cansativo, adorável. Quero um dia poder compreender isso direito.

Enfim, espero que vocês curtam, e acompanhem esse "diário" da produção do "Sobre os Ombros de Gigantes". Em breve mais novidades, divulgarei o nome do produtor, trechos de gravações, fotos, e etc, e claro, vocês podem como sempre contribuir, da forma que se sentirem à vontade, pelos comentários desse blog, ou pelo e-mail dabliujunior@terra.com.br.

Fiquem com o pôr-do-sol do Jardim Botânico, não o mesmo que vi ontem, mas um que coloriu minha tarde um dia desses.

Sobre o primeiro disco solo: "Dabliu Junior - Sobre Os Ombros de Gigantes"



É com imenso prazer que volto ao blog para compartilhar com vocês o nome do meu primeiro disco solo "Sobre Os Ombros de Gigantes".

Mais uma vez volto a sentir a empolgação que a música proporciona correndo nas veias. Teremos muitas novidades, em diversas abordagens, que divulgarei aos poucos aqui no blog. É um CD mais leve que o som que eu fazia na banda. Muita, muita, mas muita influência da nossa rica música popular brasileira, de onde vem minhas raízes mais sinceras, e outros elementos que em breve mostrarei a vocês.

O blog será também um canal onde vídeos das gravações e do processo criativo serão liberados. Desta vez haverá um produtor, e parceiros novos e velhos trabalhando comigo. Não temos data de lançamento ainda, mas garanto que esse disco representa pra mim tudo que eu sinto com relação à música: quando canto, quando escrevo, quando interpreto, quando toco, não sou nada além de um mero mortal, mas estou mais alto, por estar "Sobre os Ombros de Gigantes".

Espero que curtam. =)

Dabliu Junior

Definindo Dabliu Junior

A mente verdadeiramente criativa em qualquer campo não é mais que isto: uma criatura humana nascida anormalmente, inumanamente sensível. Para ele...um toque é uma pancada, um som é um ruído, um infortúnio é uma tragédia, uma alegria é um extase, um amigo é um amante, um amante é um deus e o fracasso é a morte. Adicione-se a este organismo cruelmente delicado a subjugante necessidade de criar, criar, criar - de tal forma que sem a criação de música ou poesia ou literatura ou edifícios ou algo com significado, a sua respiração é-lhe cortada. Ele tem que criar, deve derramar criação. Por qualquer estranha e desconhecida urgência interior, não está realmente vivo a menos que esteja criando

Pearl Buck

Adão e Eva, uma abordagem econômica da historia.

Um texto super criativo, do meu colega de mestrado Joaquim Pereira. Vida longa aos economistas criativos.
----------------------------------------------------------------------------------------------------

Joaquim Pereira*

A historia de Adão e Eva é uma famosa passagem da religião judaico-cristã, escrita no livro de Genesis provavelmente por Moises. O resumo da historia pode ser a seguinte: Deus criou o homem e a mulher e estes viviam no paraíso, Deus ordenou que nenhum comesse o fruto da árvore do conhecimento sob o risco de morrer. A serpente de forma astuta ou nem tanto, convenceu Eva e Adão a comer do fruto com a promessa de conhecimento tão grande quanto Deus. No final Adão e Eva não morreram e sim foram expulsos do paraíso, mas perceberam que estavam pelados.

A primeira análise da historia sob a ótica econômica, pode ser feita observando o formato da passagem e como os economistas simplificam os modelos econômicos. Primeiro existe 2 pessoas ( na verdade podemos considerar somente uma pessoa, pois na Bíblia o homem e a mulher são citados como sendo ambos uma só carne), existe um Deus, uma serpente e o paraíso. Os agentes se conhecem e interagem, e somente Deus define e executa as ordens.

A segunda observação é sobre a serpente e sua informação gratuita e privilegiada do fruto, oferecendo à Eva um retorno acima do prometido por Deus ”no dia que dele comerdes(fruto)...sereis como Deus...”. E sob o mais estranho: “Certamente não morrereis”; então nenhum risco, e de graça! Podemos muito bem fazer alusão ao mercado de investimentos, onde surge diversas vezes algum corretor de investimentos dizendo que tem um investimento com retorno acima do paraíso e/ou com alguma informação privilegiada que o resto da criação não possui. O mais claro disso tudo: nada é de graça!!

Enfim, Deus criou o homem e esperava que este agisse de forma racional (racionalidade que muitos economistas adoram contestar) e não trocasse o paraíso por um fruto. O que Deus não esperava era a serpente aproveitando a característica principal do ser humano: o ser maximizador! Aquele que sempre vai querer o melhor, provavelmente se não houvesse nenhuma árvore do conhecimento ainda estaríamos todos lá.


- *Joaquim Pereira é mestrando em Desenvolvimento Econômico pela UFPR.

- Cada artigo é de responsabilidade dos autores e as idéias nele inseridos, não necessariamente, refletem o pensamento dos administradores do blog.